segunda-feira, janeiro 19, 2009

Já se escrevia qualquer coisa

Está mais abaixo ;)

14 comentários:

miau disse...

E porque não acordar de um sonho acordado, com um carro a buzinar, porque simplesmente parou no trânsito?
Nada existia, apenas ela na sua cabeça, não se concentrava em nada... Acho que ficava mais engraçado

Rui disse...

boa ideia!!...
Do estilo de parar num cruzamento e sonhar...

Farpas disse...

também me parece muito bem! Acho que é aquele tipo de coisa que já aconteceu a toda a gente mas no entanto é menos "cliche" do que o despertador!

Tininha disse...

Concordo.
O prólogo (uma espécie de) começa a ser apaixonante, gosto de livros que me agarrem e não daqueles que eu apenas agarro para ler.
A ideia que queria partilhar era a oposta à que tiveste. O João dava conta da existência da Tânia, mas nunca se viria a perceber que era amor o que ele sentia. Em Coimbra (ou em outro local) conhecia uma rapariga, por quem pensaria estar apaixonado, mas a sua relação com ela estava a ficar "reduzida" a um não gostar daquilo que ela era e estar sempre a tentar mudá-la, como por exemplo não ler o mesmo autor, não ouvir a mesma canção. E, depois de muito enredo, perceber, quando estava parado no trânsito a pensar na Tânia, que afinal tentava mudar a outra porque queria que ela o fizesse sentir a Tânia. Basicamente ele tinha vivido a negação de algum dia se apaixonar por uma prostituta. Quem é que se iria apaixonar por uma prostituta?...

Não sei se me consegui fazer entender...

Primeira parte da história: Ele conhece a Tânia e vicia-se nas suas histórias, nas suas conversas.

Segunda parte da história: Ele vai para Coimbra e apaixona-se. Vive uma paixão intensa, carnal, mas vai-se apercebendo que fora sexo não têm nada em comum e tenta mudá-la.

Terceira parte: Apercebe-se que a tentativa de a mudar é apenas para a pôr parecida com a verdadeira pessoa que ele amou, mas que tarde se apercebeu.

Quarta parte: Será que ela sentia o mesmo? Será que vale a pena voltar? Será que ela ainda está no mesmo sítio? Será que ela continua a ser a mesma pessoa?

No final: Não os punha aos beijos e abraços. Acabava apenas com uma frase que deixasse em aberto, que pusesse o leitor a sonhar com o que terá acontecido. É sempre bom quando lemos um livro e dizemos "Já acabou...", mas que dê a entender que têm um futuro pela frente e um mundo de possibilidades e compatibilidades.

Tininha disse...

A Tânia tem de ser uma personagem em que o leitor se apaixone por ela. Pura, compreensiva, misteriosa, culta (não pelos seus estudos, porque a sua vida nunca permitiu, mas pela leitura), mas ao mesmo tempo cruel, porque o João tinha de pagar apenas para conversar. Ela não se podia dar ao luxo de perder tempo com borlas. A única vez que ele não ia pagar seria talvez a última em que se ia despedir, antes de ir para Coimbra.

O João seria uma pessoa com formação, talvez um advogado, uma profissão que obrigatoriamente não o permitisse relacionar-se com uma prostituta, porque isso era contra a lei e iria pôr a sua carreira em risco se alguém descobrisse.

miau disse...

Isso no fundo é o que acontece em quase todas as relações... Há sempre uma tendencia para mudar as pessoas à nossa imagem... As dúvidas das crises que todos os casais atravessam!!

Seria muito óbvio. Acho que é bonito pensar que se está apaixonado, sentir amor, um amor que confunde a razão, ao ponto de não ver a face de quem ama!
Faz-se um clik, quando num simples beijo na face da menina de Coimbra, não se sente a face da puta que se ama

Farpas disse...

Eu acho que nem uma coisa nem outra, antes pelo contrário! Um misto das duas. Ou seja, ele perceber que sentia alguma coisa e recusar aceitar que isso que sentia era amor, mas era uma coisa tão confusa que ele próprio não se apercebia mesmo que estava apaixonado. Embora soubesse que sentia algo e que evitava pensar nisso a todo o custo, nunca foi capaz de dar conta que se isso acontecia então era porque estava mesmo apaixonado! Chegando ao ponto de começar a ouvir música mais pesada no carro para não encontrar nada numa letra que o fizesse lembrar-se dessa situação! Uma confusão de sentimentos que pode ser difícil de explicar por palavras mas não deixa de ser um desafio!

miau disse...

Gosto!!!
E a outra menina de Coimbra? O que sente ele?

Tininha disse...

Isso foi o que eu quis dizer, se calhar não me expliquei bem, mas isto a 3 cabeças é brutal... T.N. (Tudo Nosso)

Farpas disse...

Gosto da frase:

"quando num simples beijo na face da menina de Coimbra, não se sente a face da puta que se ama"

miau disse...

Ela sabia o que sentia, foi-se apaixonando, sabia o que queria...
Queria o que lhe parecia mais confortavel, o atendimento ao publico...
A sua segurança, sempre confundiu o João, desencorajando-o na entrega do seu sentimento!

O João simplesmente não queria saber sentir... Mantendo a sua vida perfeita, vivia com uma modelo em Coimbra, era feliz, nada lhe faltava, mas também nada o preenchia...
E foi naquela tarde de Domingo, num simples beijo na face, que ele não lhe descobiu a Tânia... Perturbado fugiu de si mesmo, ao encontro da sua puta... Não sabe como, nem porquê, mas assim que a viu, deu-lhe um beijo na cara, nunca o tinha feito, envergonhado prosseguiu como se nada fosse, abriu um livro e divagaram num poema particularmente especial... Continuava feliz, mas agora completo, porque finalmete sabia o que sentia...

Rui disse...

Estou estupefacto com as vossas geniais ideias. Mais uma vez, vai-me ser dificil assimilar tudo. Lá vou eu mastigar devagar, para nºao vomitar em vez de escrever :)
Abraço de bem haja aos três :)

Tininha disse...

É uma frase bonita e com muito sentimento...

As personagens vivem num mundo confuso em que a maior complicação é se estar sempre a complicar o que poderia ser tão fácil, tão óbvio para os que estão "de fora".

miau disse...

Nem tudo se sente como se vê, e nem sempre se vê o que se sente!!!